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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

LULA E OS PANGARÉS PETISTAS



Pouco a pouco, o eterno candidato à presidência do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, começa a admitir que não concorrerá nas próximas eleições. Com a condenação iminente nas mesmas investigações em que virou réu, muito provavelmente se tornará carta fora do baralho. Recentemente, em entrevistas concedidas durante a caravana que realiza pelo país, citou políticos petistas como Jacques Wagner e Fernando Pimental como possíveis substitutos. Sabe, no entanto, que qualquer outro nome que ocupe seu lugar não terá a mesma empatia popular, e nem tampouco semelhante votação. Se comparados com o próprio, são somente pangarés, azarões que dificilmente chegarão ao planalto, considerando a crise de credibilidade que os casos de corrupção gerou no partido.

O fato em si diz bastante a respeito do PT e, de certo modo, da lei eleitoral brasileira. Durante anos, o petismo apostou todas as suas fichas no carisma de Lula, e esqueceu-se de fomentar outras lideranças na legenda que fossem plenamente capazes de ocupar o espaço deixado pelo líder máximo. Mesmo Dilma Rousseff não foi senão uma escolha de improviso, uma carta tirada repentinamente da manga, e nunca um nome preparado pelo petismo para ocupar o cargo a que alcançou. O provável naufrágio na próxima eleição presidencial delatará um equívoco que, com certeza, há de colocar o partido em uma situação agônica.

Também é necessário recordar que circunstâncias como essa, ou seja, a insistência em um nome específico, só se mostra possível porque as leis brasileiras permitem que alguém volte a ocupar a presidência da nação depois de ter ocupado antes o mesmo posto. Nos Estados Unidos, presidentes que exerceram seu mandato não podem se candidatar novamente, impedindo, assim, tendências caudilhistas.

Falando objetivamente, há trinta anos discutimos Lula como candidato à presidência no Brasil. Estava mesmo na hora de avançar para discussões mais profícuas.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


domingo, 20 de agosto de 2017

GAROTA É 'POSSUÍDA' EM SESSÃO DO FILME ANABELLE 2


O filme Anabelle 2 recentemente estreou no cinema, reeditando outra vez a temática da invocação do mal e da possessão demoníaca. Desde os clássicos O Exorcista e O Bebê de Rosemary, temos assistido a inúmeras filmagens trazendo enredos que versam a respeito dessas possessões diabólicas. E quando isso acontece, também  sacerdotes exorcistas acabam entrando em cena.  

Algumas interpretações ingressaram a história, como é o caso de Max Von Sydow, o Padre Merrin da obra do diretor William Friedkin e de Anthony Hopkins em O Ritual. Conquanto nestes dois casos específicos exista um louvável esforço de mostrar a realidade do exorcismo católico, descontando naturalmente os exageros dos efeitos especiais, muito frequentemente Hollywood derrapa ao retratar essa tão controvertida prática da tradição dos católicos. 

No caso do filme Anabelle 2, um exorcista que não quis identificar-se admite que existam algumas imprecisões (Acidigital).  

Tendo estreado há pouco tempo no Brasil, a obra começou despertando certa polêmica: um vídeo que se encontra na internet mostra a cena real de uma garota deitada no chão de um shopping center de Piauí, sofrendo uma espécie de ataque após assistir o filme no cinema (Estadão). Muitos interpretaram o fato como uma possessão demoníaca, enquanto outros afirmaram se tratar de um ataque de pânico. Segundo a administração do shopping center, a garota foi conduzida a um hospital.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


sábado, 19 de agosto de 2017

A CONFRARIA LITERÁRIA



Um autor que esteja vinculado à tradição literária nunca escreve senão em diálogo constante com os demais escritores dessa tradição. Isso em algumas circunstâncias revela-se de modo evidente, como são os casos de Goethe e Thomas Mann, dois autores alemães que se encontram conectados por uma idêntica linha de pensamento. Se o primeiro concebeu sua obra máxima, o Fausto, dando vida à história de um intelectual, estudioso de ciências ocultas que, movido por vaidade e soberba, convoca o demônio - Mefistófeles – a fim de pactuar em troca de conhecimento e juventude, o segundo deu ao mundo Doutor Fausto, a releitura moderna do mesmo tema, agora retratado na história do músico Adrian Leverkühn.  

Também James Joyce colocou-se no centro desse diálogo ao escrever Ulisses, obra gigantesca que coloca o drama de Odisseu em uma narrativa contemporânea.  

Podem-se identificar diversas outras referências nesse sentido, e essa característica não deve ser interpretada como plágio ou ausência de originalidade. O verdadeiro significado desse colóquio literário reside no fato de que as questões relevantes da literatura não se esgotam em uma obra específica, mas continuam pulsando e exigindo outras tantas respostas satisfatórias dos autores. Trata-se de conhecer o histórico dessas questões, e oferecer um contributo importante ao debate. 

O autor que isso compreende e, além de buscar esse conhecimento, tenta engendrar sua própria contribuição torna-se membro dessa íntima confraria literária. 

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O TERRORISMO NA EUROPA E AS APARIÇÕES DE MARIA



Os atentados na Catalunha e na Finlândia ocorridos nos últimos dias realçam a crise de violência social em que o continente europeu imerge com a chegada em massa de muçulmanos. Em Barcelona, 14 mortos e mais de 100 feridos, enquanto na Finlândia dois mortos e outros tantos feridos. Também na Alemanha, um ataque a faca matou uma pessoa e feriu outra, tornando manifesta que a onda de ataques terroristas é uma tendência aparentemente previsível. 

Trata-se, no fundo, do choque de civilizações, uma disputa cultural e territorial que ocorre há séculos entre cristianismo e islamismo, e que mostra agora um capítulo novo. Desde o surgimento da religião muçulmano, no século sete, o embate sucede-se, com as invasões árabes aos territórios cristãos, e a formação posterior dos exércitos cruzados na intenção de defender os cristãos da jihad islâmica. 

Para além das questões meramente políticas, existe naturalmente um aspecto transcendente, religioso em essência, e esse aspecto realça-se quando analisamos com atenção as aparições de Nossa Senhora em Fátima (Portugal) e também no povoado de San Sebastián de Garabandal (Espanha). Cem anos atrás, quando Maria Santíssima apareceu diversas vezes a três pastorinhos portugueses, o fez em um local muito peculiar: no povoado de Fátima, e o nome Fátima é justamente atribuído a uma das filhas de Maomé. Em sua mensagens, a Mãe de Deus prenuncia um tempo em que Roma se encontra destruída, e o Santo Padre – na visão das crianças, um bispo vestido de branco – é morto por tiros e flechas, assim como também são mortos, bispos, padres e religiosos que o acompanham. Ora, que justamente no centenário das aparições marianas em Portugal estejamos assistindo uma invasão maometana no continente europeu e repetidos ataques violentos, é uma evidência clara de que a história religiosa e política entrelaçam-se e, sobretudo, que as profecias encontram-se perto da realização. 

Nas aparições de Nossa Senhora em Garabandal (Espanha), novamente os presságios de violências futuras voltam a acontecer, e estas se encontram vinculadas a fatos relativos à Igreja. Um deles, a viagem do Santo Pontífice à Russa, algo que, até o momento, não ocorreu. Porém, recentemente, notícias informam que o cardeal Pietro Parolin realizará uma expedição diplomática ao território russo com a intenção de preparar uma visita do Papa Francisco àquele país. Segundo as videntes de Garabandal, assim que essa visita se der, e o Pontífice retornar a Roma, haverá grandes violências na Europa, revoluções comunistas através do mundo e perseguições ao cristianismo. 

Para qualquer observados atento, o cenário está montado para que tudo aconteça. E tão logo esses fatos sucederam diante dos nossos olhos – coisa que parcialmente já tem ocorrido – seremos então testemunhas não somente da história política, mas também de manifestações transcendentes. 

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

FACHO DE LUZ



Às vezes, o escritor caminhava à beira-mar, percorrendo as falésias do Algarve, em Portugal.

Sentia-se tranquilo e melancólico, observando a paisagem, cruzando com desconhecidos, e tentando captar nas horas vespertinas a poesia tão necessária à existência.

Sua terra estava distante. Sua gente mal conhecia o paradeiro daquele escritor. Ele era um estrangeiro. Um homem sem destino ainda definido, à espera das transformações tão necessárias à existência.

Pediu um sinal.

Ou talvez não tenha exatamente pedido. Talvez tenha só suspeitado a presença discreta do divino naquele entardecer.
O mar estava encapelado. O céu coberto de nuvens.

Pouquíssimas pessoas arriscavam-se a vagar displicentemente na praia. Então ele testemunhou a rocha sobre a qual incidia um facho de luz solitário.

O firmamento ali se abrira o suficiente para que o astro solar derramasse o raio exclusivo sobre a rocha marítima.

Por um instante, ele desejou ser também como aquela rocha, e receber do alto um facho solitário como aquele que o tornasse exclusivo na hora tardia.

Isto foi tudo o que conseguiu desejar sinceramente naquele momento.

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

OS LIMITES DA FILOSOFIA



Mesmo que a filosofia consista na busca do conhecimento, todo aquele que envereda por esse caminho necessita ter como pressuposto básico a concepção de que existem limites para o conhecimento filosófico. Ou seja, nem tudo é passível de ser conhecido, seja pelas limitações da capacidade humana, seja pela constituição essencial do objeto a ser conhecido. 

Por exemplo, o ser humano não é capaz de abarcar em seu conhecimento a realidade integral do universo porque, sendo menor do que aquilo que está sendo estudado, consegue somente compreender a pequena parte que sua condição permite observar. Trata-se de uma limitação do sujeito cognoscente. Outro exemplo: ainda que exista uma realidade sobrenatural, e ela se revele eventualmente, tal realidade tem como situação peculiar o fato de ser intrinsecamente diversa da situação natural. O que é sobrenatural atua, às vezes, sobre a natureza, mas sempre dentro dos seus limites. 

Com isso, quem se dedica ao estudo filosófico terá necessariamente que conviver, de quando em quando, com dimensões que transcendem a ânsia de conhecimento.  


Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

SOBRE A VIAGEM LITERÁRIA


Pôr os pés na estrada, descortinar os horizontes, investigar cada detalhe do caminho, conhecendo a realidade tanto quanto possível e conhecendo-se a si mesmo durante a jornada: eis a missão do escritor. Trata-se, no fundo, de comungar a viagem física e a espiritual, avançando, passo a passo, rumo ao desconhecido.

Desse modo se compõe verdadeira literatura!

E a expedição cujas dimensões vão do natural ao sobrenatural pode durar a existência inteira. Todas as manhãs decifrar algo novo, se acaso estiver na estrada, ou mesmo no aconchego de seu cômodo privado. Quantas vezes é possível erguer os véus da realidade nas páginas dos grandes romancistas, quantas descobertas formidáveis não são passíveis de acontecer no pensamento dos filósofos, quantas inspirações não nos oferecem os poetas?

Saber caminhar dessa maneira é fecundar o trabalho que todo escritor deve empreender.


Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


domingo, 13 de agosto de 2017

MOMENTOS DE LEVEZA



Passadas situações de angústia e escuridão, às vezes ocorrem momentos de profunda serenidade. Momentos em que as coisas se tornam claras e há uma leveza em cada detalhe. Tudo dá a impressão de exalar harmonia: a luz do sol vibrando ao amanhecer, os pássaros cantando a comemorar o dia, o ar fluindo e entrando nos pulmões, enchendo-nos de energia vital.

Nessa ocasiões, carece somente usufruir a graça da paz que nos é concedida. Nada é necessário. Não é necessário um movimento brusco, um esforço desmedido. As coisas estão dispostas de tal maneira que basta unicamente gozá-las. 

Saber vivenciar instantes assim e traduzi-los significa descobrir a essência da poesia.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


sábado, 12 de agosto de 2017

O RAPAZ DO ACRE - SUCESSO A TODO CUSTO



Por fim, o mistério foi desfeito: eis que reapareceu Bruno Borges, o rapaz do Acre desaparecido há quase cinco meses. Depois de ter virado notícia no Fantástico devido à excentricidade daquilo que foi encontrado em seu quarto – uma estátua em tamanho natural do monge Giordano Bruno e quatorze livros criptografados –, o acreano entrou na lista dos escritores mais vendidos do Brasil assim que os primeiros livros foram decodificados e publicados recentemente.

Seu sucesso repentino me recordou O Rei da Comédia, filme estrelado por Robert de Niro e Jerry Lewis, no qual o personagem Rupert Pupkin (Robert de Niro) toma medidas extremas com o intuito de ficar famoso. E mesmo assumindo a responsabilidade criminal pelos atos, de fato alcança o sucesso almejado. 

Segundo consta, o autor está faturando alto com as vendas. Para a polícia, tudo não passou de uma jogada de marketing, e como seu desaparecimento foi voluntário, não existe qualquer responsabilidade criminal a ser imputada ao rapaz. 

Para alguns, talvez pareça um golpe de mestre, mas a questão que resta desvendar é a seguinte: quais serão os limites éticos do que pode ser feito visando a tão desejada fama?

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VOCÊ CONHECE AS PROFECIAS DE GARABANDAL?


Você conhece as profecias de Nossa Senhora em Garabandal? Elas ocorreram na década de sessenta, no povoado de San Sebastián de Garabandal, na Espanha, enquanto na Itália sucedia o Concílio Vaticano II. Isto significa dizer que dois acontecimentos preponderantes para a história do cristianismo se deram concomitantemente. 

Nessas aparições, a exemplo de manifestações anteriores – La Salette, Lourdes e Fátima –, Nossa Senhora alertou a humanidade a respeito dos caminhos equivocados pelos quais caminhava. Seus alertas se dirigiram fortemente ao clero católico e também àqueles que defendiam práticas abortivas, vistas como abomináveis por Deus.

Nos últimos dias, do Vaticano, veio a notícia de que o cardeal Pietro Parolin viajará à Rússia com o intuito de preparar a visita do Papa Francisco àquela nação. Trata-se de uma situação inédita, porque jamais um Papa visitou o território russo. Mas por que isso se relaciona com as aparições de Nossa Senhora em Garabandal?

Nessas manifestações sobrenaturais, nas quais Maria Santíssima dirigiu-se a quatro meninas de condição modesta, houve o prenúncio de que um tempo chegaria quando o mundo teria que sofrer provas espirituais fortíssimas. E essas provas dividem-se em três categorias: um aviso, um milagre e um castigo.

O Aviso servirá para nos preparar bem para o milagre que se dará no mesmo local das aparições. O objetivo é realizar uma verdadeira conversão das pessoas a fim de evitar o castigo que sobrevirá, caso não ocorra essa conversão tão esperara por Deus.

Segundo as videntes, antes do Aviso sucederá um sínodo importante na Igreja – recentemente tivemos, de fato, o Sínodo da Família – e também uma viagem do Papa à Rússia. Também foi dito que, ao retornar à Itália, o Papa seria surpreendido por violências sociais na Europa, revoluções socialistas em vários países do planeta e uma terrível perseguição à Igreja. 

Com a viagem do cardeal Pietro Parolin à Rússia, os acontecimentos relacionados às profecias de Garabandal dão um passo decisivo na direção de seus cumprimentos. 

Cabe-nos rezar e aguardar!

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ENTREVISTA COM A ESCRITORA MARIA LEÃO



Maria Leão nasceu em Teresópolis (Rio de Janeiro) em 15 de agosto de 1964. 
Graduou-se em Arquitetura na cidade do Rio de Janeiro e trabalhou nesta profissão por 20 anos. Estudou Roteiro Cinematográfico na Escola de Cinema Darcy Ribeiro em 2009. Tem escrituras de longa-metrageme concorre constantemente em concursos de roteiro. Duas peças de teatro ‘Contrária: do vulto das mulheres selvagens’ e ‘Jabuticaba’ que ganhou menção honrosa no concurso de dramaturgia do Instituto Guilherme Coussoul em Lisboa em 2014. Tem também dois roteiros de curta-metragem filmados: ‘As Bodas’ em 2010 e ‘Esboço’ em 2011.  
Publicou o primeiro romance com o título ‘Morangos Selvagens’ em março de 2015, pela Chiado Editora, em Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde. 
Proprietária e idealizadora do Hostel A Casa Azul em Teresópolis desde julho de 2015, cuida da produção dos detalhes da decoração, costuras, pátinas, pinturas decorativas, recebe os hóspedes e prepara o café da manhã artesanal. Busca direcionar a vocação deste espaço para a cultura, oferecendo encontros como o dos Poetas Azuis, evento onde os convidados recitam poemas autorais ou não com a palavra azul. 

  
Gabriel Santamaria: Você me contou que seu romance Morangos Selvagens era originalmente uma peça de teatro. Como surgiu a ideia do livro? E como foi transformar uma peça teatral em romance? 

Maria Leão: Primeiro quero agradecer esta oportunidade e te dizer, Gabriel, que é uma satisfação ser entrevistada por você, meu hóspede aqui do Hostel. Como é importante conhecer as pessoas ‘mano a mano’! Este nosso contato virtual tornou-se muito mais sincero apenas pelo fato de nos termos conhecido e conversado um pouco sobre literatura. 
Eu descobri que conseguia escrever para o teatro em 2011, com alguns cursos que fiz no CAL (Centro de Artes de Laranjeiras), cursos como atriz, não por querer ser atriz, mais para entender a dinâmica do diálogo, este era o meu objetivo. Escrevi Morangos Selvagens como peça teatral em 2011 e tentei oferecer a alguns diretores para encenar. Embora o texto tenha sido bem aceito e elogiado, não consegui nenhum interessado, eram momentos difíceis. Uma crítica que recebi de uma diretora mineira (não quero citar nomes), era de que havia uma necessidade de explorar mais a psique das personagens, porque eles estavam respondendo ao pingue-pongue de ação e reação, e que se ela fosse dirigir a peça, antes faria um laboratório para criar as justificativas das ações dos personagens. Como isso não aconteceu, e o projeto ficou parado por um ano, em 2013, resolvi eu mesma fazer este laboratório, pois entendi que não poderia mais esperar por outras pessoas, eu precisava fazer esta história sair do meu domínio de alguma forma. Como não sou diretora, nem produtora, nem atriz, sou apenas escritora, decidi transformar Morangos Selvagens em uma linguagem que pudesse ser entendida em palavras, compreendendo nela, todos os aspectos psicológicos, filosóficos e existenciais das personagens e seus satélites. Até aqueles que não são ditos, mas sugeridos, de forma que o leitor atento consiga captar. Eu sinto a história totalmente traduzida nas palavras, independente do gênero literário que o texto se configure. Eu me sinto realizada. O livro foi publicado em março de 2015. 

Gabriel SantamariaMorangos Selvagens é um romance que, de certo modo, aborda o choque entre as personagens de Mãe e Filha, o que também significa dizer que existe um choque de gerações. Você acredita que crises dessa natureza sejam inerentes às relações humanas? 

Maria LeãoSim. Embora seja imprevisível como se dará as próximas gerações. Visualizo muitas mudanças. Os que repetem os padrões de comportamento estarão destinados a manter os conflitos. Mas os filhos e filhas que estão buscando um entendimento diferente, talvez encontrem novos conflitos em suas histórias que possam abrir novos caminhos sociais. É que olhando pelo viés do senso comum, sem querer ser uma generalista, enquanto somos pais ainda estamos na busca de acertar a vida, já os avós, que tiveram sua chance, tendem a enxergar melhor o que os pequenos demonstram de sinais de sua originalidade. Os avós estão mais relaxados. Os pais estão muito próximos dos pequenos e carregados de cobrança. Isso não quer dizer que não aja amor. Há muito amor em jogo. Diversas formas de amor.  Um turbilhão de formas de amor. A linha direta do amor reprimido, recusado, rejeitado é o ódio, e isso se transforma numa sombra que é refletida em tudo aquilo que os pequenos vão fazer enquanto crescidos. E não conseguem ser adultos. 

Gabriel Santamaria: O livro conjuga literatura e culinária. Você é dona de um hostel e costuma receber pessoas constantemente. Como essa experiência cotidiana fecunda seus escritos? 

Maria LeãoIa fazer uma piada, mais seria um spoiler. 
Eu adoro comer uma comida bem preparada. Adoro assistir programas culinários, ver as pessoas, os chefs preparando comida, mesmo que eu não tenha paciência de ser tão criteriosa quando vou preparar meu almoço. Aqui no Hostel, ofereço um café da manhã bem caseiro e gosto de conversar com os hóspedes neste momento, enquanto os sirvo. É lindo! Uma fonte de energia e trocas muito forte. Conhecer e me deixar ser conhecida. Isso me inspira em criação de personagens mais reais. Não que eu vá transcrever a história das pessoas, não é isso. É a energia de cada um que é inspiradora.  E também é uma excelente forma de mostrar o meu trabalho como escritora. Olha só o nosso exemplo! 

Gabriel Santamaria: Quais foram as dificuldades encontradas no caminho de publicação desse romance? 

Maria Leão: Nenhuma editara brasileira se interessou. Algumas até responderam que só leriam originais com uma carta de apresentação de algum autor da editora. Restou-me apenas a publicação por minha própria conta. Fiquei deprimida por uns meses. Deixei o livro quieto. Um dia, na verdade, numa madrugada, depois de conversas intensas com amigos e algumas garrafas de vinho, cheguei em casa, redigi um email e fiz uma busca no Google de editoras de língua portuguesa que leem originais de desconhecidos. A Chiado Editora respondeu dois dias depois, leu meu original, que estava registrado no Escritório de Direitos Autorais (o que todo autor deve fazer com sua obra, antes de qualquer coisa), e me fizeram uma proposta, que eu aceitei. Eu tive que pagar, parcelado, e se eu precisar de mais exemplares, tenho que pagar, mas em contrapartida, a Chiado me ofereceu E-book na Amazon, site de vendas como a dela própria para toda Europa, e no Brasil na Livraria Cultura, livrarias como a Blooks em Botafogo, enfim, um lugar no mundo, que se eu tivesse editado por conta própria, não teria. Eles foram bem legais e agora vão me levar para a Bienal do Rio.
Gabriel SantamariaQuando você está escrevendo, quais autores exercem maior influência em sua literatura? 

Maria Leão: Não só autores, tudo exerce influência em mim. Sou um filtro ambulante. 
Mas sou super fã de Valter Hugo Mãe, Amos Óz, Phillipe Roth, João Ubaldo Ribeiro, Machadão, Saramago, Cecilia, Clarice, Harold Pinter, Fernanda Young, você, entre outros. 

Gabriel Santamaria: Clarice Lispector disse, certa vez, ter se sentido chocada com a leitura do romance O Lobo da Estepe do escritor alemão Hermann Hesse. Maria Leão já se sentiu chocada com a leitura de alguma obra literária? 

Maria LeãoChocada não, mas tocada sim. ‘O filho de mil homens’ de Valter Hugu Mãe me fez decidir a tentar escrever uma obra literária e escrevi Morangos Selvagens. 

Gabriel Santamaria: Você mora em Teresópolis (RJ) e participa intensamente da vida cultural da cidade. Fale um pouco a respeito desse contato com o círculo de escritores da cidade. 

Maria Leão: Teresópolis é uma cidade privilegiada não só pela natureza: montanhas e clima, mas por moradores artistas. É uma maravilha! Muitos poetas, compositores, escritores moram aqui ou na serra carioca. Acho que, como eu, gostam do silêncio. Ao menos, foi esta minha decisão de deixar o Rio e viver aqui, no Hostel. Nos encontramos para ler poesia, contos, saraus. Dia 18 faremos um encontro aqui no Hostel, os Poetas Azuis, com lareira acesa, caldos, pastinhas e vinhos e muitos textos que tenham a palavra azul, pode ser: poemas, contos, músicas, piadas, raps, repentes, palavrões, enfim..., só vale com a palavra AZUL. 

Gabriel Santamaria: Se não me engano, você já residiu no exterior. De que forma essa experiência acrescentou à sua formação literária? 

Maria Leão: Residi não. Mas é meu maior desejo neste momento. Viajei. E em cada viagem que fiz minha mente se expandiu. Se pudesse, faria uma viagem interplanetária. 

Gabriel Santamaria: Você estará na próxima Bienal, não é mesmo? Quais são suas expectativas? 

Maria Leão: Ansiosa. Estou preparando marcadores de livros com frases do Morangos Selvagens e vou oferecer geleia de morango com torradinhas.  
Vou falar um pouco sobre o processo da escrita, e também da relação mãe e filha, que é o tema central desta história. Será a primeira vez que participarei de uma Bienal. Ano passado, participei de duas feiras, foram bem interessante, principalmente a FLIM de Madalena. 
A minha participação na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro para o dia 06/09 (quarta-feira) das 19h00 às 19h50. 
Se puder, apareça. 

Gabriel SantamariaFale um pouco acerca de seus projetos literários para o futuro. 

Maria LeãoTem um segundo romance a caminho, com o título provisório ‘Na órbita das coisas’. Tem um pouco do tom psico-filosófico do Morangos, mas tem suspense, investigação policial. Está mais fragmentado, com elipses temporais. O tema abordado é invasão. As barreiras da invasão de espaço físico, psicológico, virtual. Qual o limite? Até aonde se pode chegar?