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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

AFORISMOS


Nesses tempos de utilitarismo, o amor nada conserva quando não resolve questões práticas.

O caminho da filosofia é inquietação no princípio e serenidade no desfecho.

Só ao definir onde estamos é que sabemos a distância que falta até o objetivo.

Deus sempre transcende as tentativas de defini-Lo.

No casamento sacrifica-se metade de si mesmo a fim de receber o dobro em contrapartida.

Um ato generoso engendra o amor na eternidade.

Sem autocrítica ninguém consegue abolir os conflitos interiores.

Os que veneram a fama estão sempre prontos a desprezar quem nela não se sustenta.

Privar uma criança do certo e do errado é cometer um crime contra a humanidade.

Fascismo, socialismo e anarquismo são vertentes ideológicas do mesmo impulso diabólico de abolir as tradições. 

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

EU, FRANZ KAFKA



Franz Kafka tratava sua vocação literária como “o seu chamado”. Passou a existência inteira em um anonimato quase completo. Um funcionário burocrático, escrevendo nas horas vagas, incomodado com a falta de tempo para se dedicar aos escritos. Autor de romances e contos, quase sempre inacabados. Depois da morte, pediu a seu amigo – Max Brod – que destruísse seu legado literário. Sorte nossa que Brod desobedeceu a ordem expressa de Kafka, e deu os títulos à publicação, escrevendo também sua principal biografia.
Como um escritor vivendo em uma espécie de anonimato, sentindo a literatura como um chamado particular, observo semelhanças entre mim e Kafka. Também em alguns de meus livros, o absurdo se manifesta ocasionalmente. Por exemplo, em meu romance mais recente: O Arcano da Morte. Pesa-me diariamente a situação contrastante de me saber detentor de uma vocação, sem ter encontrado os meios suficientes para realizá-la em tempo integral. Sinto tal desconforto, a sina dos escritores que vieram ao mundo sob o signo da contradição.
Se o futuro, ao menos, me garantir a glória que, em vida, me tem sido negada, isto servirá como consolo. 

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).

terça-feira, 19 de setembro de 2017

CARTA ABERTA AO FILÓSOFO OLAVO DE CARVALHO




Li suficientes biografias de escritores e intelectuais para entender que, com frequência, a existência deles é um tanto atribulada. Muitos nunca chegaram a fazer segredo disso. Lembro-me dos romances de Henry Miller, cuja existência sexual promíscua é confessada em páginas que causaram certo escândalo na época. Também me recordo de escritores que estiveram presos, como Dostoievski, Jean Genet e o poeta brasileiro Bruno Tolentino. Crimes de conspiração, roubo e tráfico de drogas constam no currículo desses gênios da literatura. Na Abissínia, Arthur Rimbaud terminou seus dias como traficante de armas. Se formos abordar a sexualidade dos escritores, encontraremos pederastas, bissexuais, sadomasoquistas, onanistas e misóginos. Ser autor de livros não é, portanto, uma credencial que nos afiança a decência e os bons costumes.
Recentemente, acompanhei as acusações de Heloísa de Carvalho, a filha do filósofo Olavo de Carvalho, pretendendo revelar “os podres” do pai publicamente. Lavação de roupa suja geralmente não é algo nada elegante, e quando isso acontece entre familiares, a coisa fica ainda mais fedorenta. Lendo a carta aberta que Heloísa Carvalho escreveu ao progenitor, evoco naturalmente as tantas quantas biografias de escritores que tive a oportunidade de ler. Honestamente, nunca espero que um autor seja exemplo de comportamento social. Isso é bom-mocismo de telenovela ou de jornalismo capenga. Olavo de Carvalho teve uma existência atribulada, a semelhança de muitos outros intelectuais e literatos que conheço. Mas isso não o desqualifica de modo algum. A ser verdade, desqualificaria todos os nomes acima referidos.
Sou um admirador da obra e do pensamento dele, e continuarei sendo, a despeito desses arranca-rabos de família. Sem seus livros e sua influência intelectual, o Brasil viveria as trevas de uma dominação esquerdista no campo do pensamento. 

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


sábado, 16 de setembro de 2017

O SEGREDO DA JUVENTUDE



O segredo da imortalidade, esse milagre que a ciência moderna almeja conquistar, tema que inspirou músicas e filmes, também foi abordada pelo esoterismo. O mago Eliphas Levi dizia que o segredo da imortalidade é conservar a juventude no coração. Mas o que caracteriza exatamente a juventude?
Os jovens são mais espontâneos, no entanto, às vezes, são também irresponsáveis, e isto certamente não há de ser o que urge conservar no coração.
Quando se tem uma existência inteira pela frente, a esperança é algo que acontece com naturalidade. O desespero que atormenta os corações envelhecidos é exatamente a ausência de esperança. Eis que os anos se passaram, e a maioria das possibilidades se desvaneceu. Somos obrigados a conviver com a consequência dos equívocos, e isso pode amargar os sentimentos.
O segredo daquilo que Eliphas Levi sugere reside nisso precisamente: conservar as esperanças da juventude no coração. Pois mesmo que o tempo transcorra, ainda que muita água corra debaixo da ponte, sempre existe a hipótese da esperança.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ENTREVISTA COM A POETA MARIANA BASÍLIO





Mariana Basílio (Bauru – SP, 1989) é poeta e tradutora. Autora de Nepente (Giostri, 2015) e Sombras & Luzes (Penalux, 2016), atualmente versa os livros Megalômana e Tríptico Vital. Tem traduções e poemas publicados em revistas do Brasil e de Portugal, como alagunas, DiversosAfins, escamandro, Garupa, Germina, InComunidade, mallarmagens, Odara, Raimundo, entre outros.
Contato: Site da Autora.

GABRIEL SANTAMARIA: Mariana, são dois livros de poesias já publicados em sua carreira: Nepente e Sombras & Luzes. Fale um pouco a respeito desses trabalhos.
MARIANA BASÍLIO: Escrevo desde os 16 anos, sem nunca ter tido ideia ou real desejo de ser uma escritora publicada. Com o passar dos anos, algo dentro de mim soprou para a direção de que eu tentava me desvencilhar – a de que eu só existiria plenamente como poeta. Engavetei poemas por quase dez anos. Aos 25 tive um insight final e inicial. Pensei: agora ou nunca. Então reuni meus escritos, que preencheram as paredes do meu escritório, e digitalizei parte deles. Posteriormente, construí meu primeiro livro.
Nepente (Giostri, 2015, 84 p.), na Odisseia simboliza uma poção contra a tristeza e o sofrimento. O livro foi escrito em seis meses e publicado seis meses depois, em 18 de julho de 2015. Uma coletânea de 27 poemas sobre os sentidos da vida, da natureza e dos sentimentos que nos enredam. Representa uma tentativa de me assumir para mim mesma, e de contar aos outros quem realmente eu sou: uma poeta. É um livro bem imaturo e travado, não o aprecio hoje mas respeito por ter me levado adiante.
Sombras & Luzes (Penalux, 2016, 282 p.), por sua vez, é uma ode à união dos contrários, que para mim condicionam a vida e o que somos enquanto humanos. Foi escrito em dois anos, revisado por mais um e publicado em 30 de novembro de 2016. Considero meu real primeiro livro como poeta, pois tive uma aceitação plena do ofício e da responsabilidade de trabalhar com a maior potência que eu pudesse, nos limites da juventude e do início de carreira. A obra tem maior fluidez, ritmo, qualidade. Uma coletânea de 100 poemas, 10 fluxos e 10 fluidos poéticos, com participação de poetas da nova e antiga geração das literaturas brasileira e portuguesa: Adriano Espínola, Filipe Marinheiro, Luis Augusto Cassas e Marcelo Ariel. Foi essencial ver esse livro nascer, me deu ainda mais certeza do quanto eu quero seguir no que amo fazer.
GABRIEL SANTAMARIA: Geralmente a formação de quem se dedica à literatura abrange verso e prosa, e suponho que você tenha bebido em ambas as fontes. Em que momento você compreendeu que sua vocação conduzia à escrita poética e o que despertou essa compreensão?
MARIANA BASÍLIO: Não houve um momento preciso, foi um processo de aceitação que levou mais de uma década: notei que minha função era expandir as palavras, com a liberdade de um escultor, como diz Octávio Paz em “O Arco e a Lira” para diferenciar prosa e poesia. Mas já escrevi o início de um romance e também algumas crônicas e contos. Gosto de escrever, mas não vejo que serão gêneros de minha primeira vertente. A poesia é para mim a principal fonte. Leio todos os gêneros literários, sou fascinada na prosa pelo Anton Tchekhov, Liev Tolstói, Hermann Hesse, Virginia Woolf, Clarice Lispector, Honoré de Balzac, Guimarães Rosa, Machado de Assis, etc. Na poesia, por Homero, Dante Alighieri, William Shakespeare, William Blake, Gil Vicente, Walt Whitman, Ezra Pound, Emily Dickinson, Elizabeth Bishop, Herberto Helder, Alejandra Pizarnik, Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Hilda Hilst, entre outras tantas vozes, infinitas.
GABRIEL SANTAMARIA: Sua poesia aborda, às vezes, a sutileza e a matéria mais carnal. Por exemplo: A saudade engole a gente, menina. / Não adianta banhar-se em flores, / esconder-se no canto cadente, / sob a fome e o frio. / A saudade engole as gotas de orvalho, / desprendidas, perecíveis / e lança-nos a um precipício / fúnebre e cálido, / feito das sombras / de toda vossa carne. / A saudade engole nossos poros, / e rodopia rodopia rodopia / nas raízes, nos néctares / de pêssegos e passas. Para você, essa convivência com elementos tão díspares – saudade, sombras, carne, pêssego, etc. – representa um conflito permanente ou tudo se soluciona no âmbito da poesia?
MARIANA BASÍLIO: É interessante essa amostra, que deve ter saído em alguma revista, porque esse poema acabou ficando fora do Sombras & Luzes, após lapidação do conjunto mais fechado da obra. Mas gosto da ideia que ele carrega, e que também permeia o restante da obra. O prefaciador, poeta português Filipe Marinheiro, reafirmou a minha impressão: talvez se trate de uma obra pós-surrealista.
Vejo que não se trata de convivência, e sim de relação, integração. Há saudade porque existem buracos, falências, travessias, sombras – dessas existências, há um conjunto de poderes da natureza que ultrapassam nossas razões: está aí um pêssego inesperado em qualquer das mesas e árvores que possamos apostar os olhos a arder.
Mas nada se solucionaria com a poesia ou em poesia. Se tudo fosse solução não existira por que existir a vida. O que somos é uma intenção, e das intenções as estrelas estão fixas – mas não. Compreende? Há uma vastidão, é nela que precisamos buscar o que não sabemos. Disso nasceu e vive a poesia.
GABRIEL SANTAMARIA: Sua obra dialoga com Herberto Helder, William Blake, Percy Shelley, Walt Whitman, Ruy Belo, Luiza Neto Jorge e Hilda Hilst. Quais são as questões essenciais desse diálogo literário e em que sentido se dirigem suas respostas?
MARIANA BASÍLIO: Minha obra dialoga não só com esses autores, mas com todos
aqueles que percorreram meus anos como leitora, e agora como leitora-escritora – um ato diferencial, mas ainda apaixonado. Dialoga também com o inexprimível, com o silêncio que me atordoa os dias numa sociedade pútrida como a nossa. Dialoga com o que não sei e aprendo a partir dessa “enxada ôntica”, nas palavras de Marcelo Ariel no antiprefácio do Sombra & Luzes, com a qual eu excedo e costuro minhas palavras.
Não são questões existentes, são previsões, providências, prolixidade, percepções para se viver e sobreviver emancipando minha própria humanidade. Esse é o meu parâmetro de leitora. Antes disso, e bem sei, como leitora-escritora, mudou um pouco esse viés. Porque agora seleciono e relaciono o que lerei a partir da teia imaginativa dos projetos que escrevo.
Não trago respostas, trago tênues provocações.
GABRIEL SANTAMARIA: Você é uma representante da nova geração de poetas brasileiras. Quais são os desafios de escrever poesia no Brasil atualmente?
MARIANA BASÍLIO: Importante ressaltar nesse momento: poeta. Não suporto o termo “poetisa”, mas respeito quem o utilize, dependendo do contexto e da própria pessoa. Sei que há um longo e complexo caminho para se chegar ao porquê de nossa escolha gramatical. A primeira coisa para lembrar a quem me lê: não é frescura. Não é feminismo radical. É tentativa de sobrevivência, de resistência, numa sociedade que continua machista, numa área em que prêmios e festivais ainda mostram o predomínio de homens, mesmo com o crescimento de autoras mulheres, de autores negros e negras, de grupos LGBT.
É preciso persistir e trabalhar com seriedade, estudar muito, ler e conhecer a história da Poesia e da Literatura. Quebrar paradigmas, cânones, mas repetir para aprender e criar para renovar, como aconselha Pound.
É preciso quebrar as barreiras, escrever o que você sente que é da sua essência e deixar sua mensagem aos cantos que puder – não importando que você não se encaixe com outros pares de sua época, que o machismo exista, que as premiações e grandes editoras não se interessem talvez pelos seus escritos herméticos – escrever, enfim, aberta para que cada trabalho seja único e importante.
GABRIEL SANTAMARIA: Há um verso seu que diz: Como se beijasse o milagre da vida. O que neste mundo, às vezes tão confuso e chocante, conserva o status de milagre?
MARIANA BASÍLIO: O Amanhecer. Nada mais edificante, intrigante, devorador, insuficiente, do que acordar mais uma vez e ver que tudo mudou ou nada mudou. Nunca saberemos quando não iremos mais acordar. Amanhecer é para mim o epicentro da questão de qualquer milagre já fundado ou que irá se estabelecer em nosso imaginário.
GABRIEL SANTAMARIA: Você é pedagoga de formação. Quando no processo educativo a poesia é trocada por letras de músicas populares, isso o que representa para a construção intelectual do aluno?
MARIANA BASÍLIO: Primeiramente, a Poesia, o conceito do que seja, pertence a todas as artes. Existe poesia em tudo o que realmente toca o ser humano. Além do fato de sabermos que a poesia, aqui específica na área literária, surgiu da oralidade, da canção. Não me incomoda letras de músicas populares serem apontadas como forças poéticas, pelo contrário. O que mais me incomoda no sistema educacional é o seu frágil funcionamento. Com raras exceções, há um descaso completo existente, principalmente na educação pública. Mas voltando à questão de letras apontadas como poesia, vejo que tudo é interdisciplinar, deveriam mostrar sempre um pouco de tudo e muito mais. Todos têm o direito de conhecer de Dante a Chico Buarque, de Camões à Karol Conka. Tudo é importante e precioso para compreensão do complexo social que vivemos.
GABRIEL SANTAMARIA: Li um poema do seu próximo livro Megalômana: o poema se chama Dentro de mim há um vasto lírico sentimental. Dentro de você, Mariana Basílio, há um segredo revelado a todos ou somente a uns poucos escolhidos?
MARIANA BASÍLIO: Dentro de mim, como diz o mesmo poema, “É o vento a queimar o esplendor do dia. / É o escuro das ruas a perpetuar a / Memória incendiária, libertando / O estado retilíneo das coisas”.
Todos nós temos segredos silenciosos só nossos e de mais ninguém. Há outros para alguns mais chegados e outros, mais importantes, que podemos partilhar com a nossa coletividade. É uma das razões pelas quais esparramo minhas imagens ao vento.
GABRIEL SANTAMARIA: A poesia esgota seu impulso de expressão ou sempre existirá algo necessariamente indizível?
MARIANA BASÍLIO: Sempre existirá algo indizível, é por isso que eu sei, escrevo há 13 anos e escreverei até o fim da minha existência.
GABRIEL SANTAMARIA: Pode-se identificar uma linha condutora entre todos os seus trabalhos? Em caso afirmativo, como defini-la?
MARIANA BASÍLIO: Pode-se sim, há uma essência, que acredito, todos possuímos em tudo que fazemos, um traço, que salta de nossa personalidade, de nossa aura. Mas são projetos muito diferentes em si, cada um vai para um lado da roda-viva que permeia meu ser.
Expliquei um pouco na primeira pergunta sobre as ideias de Nepente e Sombras & luzes, o que eu posso fazer nesse momento é acrescentar um pouco do que se molda atualmente em meus próximos livros.
No livro Tríptico Vital, que será minha homenagem à Hilda Hilst, há uma tríade que permeia as etapas de desenvolvimento das nossas ideias perante o mundo, denominadas Do Sentir, Da Experiência e Da Extensão.
No livro Megalômana, dedicado à memória das poetas e artistas brasileiras, trato com fina ironia e densidade sobre o conceito de loucura implantado pela nossa sociedade, sobre o machismo e sobre o capitalismo que dogmatizam a essência da razão em nossa cultura.
Já o mais distante, Kairós, é um épico no qual registro contemporaneamente a crise de valores e crise de concretude do que somos, poderíamos ou deveríamos prever e haver, vivendo no intrigante Século XXI.
Logo, defino que há um cordão umbilical invisível que manifesta uma força ôntica que tinge as nuances do que sou e do que poderei ser daqui em diante.
Sigo. Pulsando, tecendo, prevendo a poiesis que existe em cada novo instante.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

FALTOU VERGONHA E ARTE VERDADEIRA AO SANTANDER



O caso da exposição de suposta arte patrocinada pelo banco Santander, evento que trazia obras com apologia da pedofilia, da pornografia infantil, da zoofilia, e também desrespeito a símbolos religiosos causou muita polêmica com a atuação rápida de setores da sociedade que pressionaram o banco a encerrar as atividades.
Penso no que testemunhei em fotografias na internet, ou seja, nas obras que suscitaram escândalo e, sem dúvida, concordo com a pressão exercida sobre o banco. Contudo, meditando mais profundamente a respeito do tema, me recordo que na história da literatura, houve trabalhos que abordaram temáticas complexas como a sexualidade na infância e a crítica ao cristianismo.
Por exemplo, recordo-me do romance Lolita, de Vladimir Nabokov, e de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, obra de José Saramago. Mesmo que eventualmente ambas as obras tenham causado desagrado em pessoas mais sensíveis, não suscitaram qualquer comoção social, nem tampouco foram retiradas do mercado.
O que acontece, então, com os trabalhos expostos pelo Santander? Quando observamos, não é difícil concluir que o verdadeiro caráter artístico basicamente inexiste. Desenhar canhestramente uma criança vestida de travesti e escrever Criança Viada não oferece reflexões legítimas, nem tampouco contribuições estéticas. Trata-se somente de uma instrumentalização da arte com fins ideológicos.
Isso é necessário ser analisado. A questão não se resume apenas ao problema da temática exposta, mas sim também à baixa qualidade artística da exposição.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

PREVISÃO DE DESASTRES FEITA EM 2014 REPETE-SE EM 2017



Em Abril de 2014, motivado por sonhos premonitórios, anunciei que nos meses seguintes a terra passaria por grandes tribulações naturais. Em Setembro do mesmo ano, ocorreu uma sequência bastante incomum de desastres: terremotos no Japão e no Afeganistão, crateras abrindo-se no solo da Inglaterra, a pior tempestade em 25 anos na França, uma bola de fogo no céu de Palotina, um buraco imenso formando-se repentinamente em uma praia da Austrália, o furacão Patrícia no México, meteoro riscando o céu de Bangcoc, tornado em Marechal Cândido Rondon e o vulcão Etna entrando em erupção na Europa. Tudo concentrando-se principalmente nos meses de Setembro, Outubro e Novembro (fotos abaixo).
Neste ano de 2017, novamente começando em Setembro, desastres naturais sucedem-se causando surpresa em especialistas: três furacões em sequência passando pelo Caribe e Estados Unidos, e causando uma destruição sem precedentes; um terremoto no México que deixou mais de 90 mortos, e fortes chuvas na Itália ocasionando mais mortes.









Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).

domingo, 10 de setembro de 2017

FREI BETTO E O AUTORITARISMO PETISTA



Os críticos do petismo acusam o partido não somente dos atos de corrupção que se tornaram manifestos com o Mensalão e a Lava Jato, mas também do viés autoritário que caracteriza o partido. Na última semana, Frei Betto, um militante histórico do PT, deu uma entrevista ao periódico espanhol El Pais falando a respeito das delações de Antonio Palocci que colocaram Lula em uma situação política difícil.
Segundo Frei Betto, “Palocci compromete a credibilidade de Lula, mas há que ter cautela”. Segundo o ex-assessor especial de Lula, este foi acusado anteriormente por Delcídio Amaral, denúncias que, a posteriori, se revelaram infundadas. Dessa forma, também as delações de Palocci devem ser tratadas com toda cautela, a fim de evitar a condenação pública de Lula.
Isso que parece razoável mostra-se em contraponto ao que Frei Betto acredita ser a decisão do PT quanto a Antonio Palocci. Para ele, o partido deve providenciar imediatamente a “expulsão sumária” do ex-ministro. Para Luis Inácio Lula da Silva, toda cautela é pouco. Para Antonio Palocci, quase a execução sumária! Por que Palocci não merece toda a cautela? Por que suas acusações não devem ser apuradas, e comprovadas (ou não) antes de sua expulsão? E se ele estiver certo? E se Lula, de fato, se corrompeu? Se Frei Betto solicita a apuração justa, isto significa que ele mesmo não consegue afirmar nada antecipadamente. Sendo assim, que sentido terá a expulsão antecipada de Palocci?
Ferrenho defensor do regime cubano, Frei Betto trai a si mesmo demonstrando que o autoritarismo esquerdista, autoritarismo de paredão, de execuções sumárias, está presente na raiz do petismo, a ponto de descaracterizar o suposto espírito democrático da legenda.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


sábado, 9 de setembro de 2017

PAPA FRANCISCO E A PROFECIA DE SÃO MALAQUIAS



Passados mais de quatro anos desde a eleição de Francisco como Sumo Pontífice católico, torna-se possível concluir certas coisas a respeito de seu pontificado. Oriundo de um país não europeu, Jorge Mario Bergoglio tem procurado dar enfoque a questões que estiveram mais ligadas à vertente sulamericana da teologia. Os adeptos da Teologia da Libertação defenderam, desde sempre, a justiça social e as políticas ecológicas, por exemplo, e uma maior inserção de homossexuais no seio da sociedade. Muitas vezes, Papa Francisco colocou-se ao lado dessas questões, afinando-se, por exemplo, com o discurso dos movimentos de sem terras. Em seu pontificado, temas mais tradicionais como o aborto e o divórcio ficaram um tanto quanto relativizados, embora não se possa afirmar que ele tenha modificado substancialmente a doutrina católica em tais quesitos.
Por outro lado, foram benfazejas, sem dúvida, suas decisões de conclamar o Ano da Misericórdia em 2016, de consagrar o Vaticano a São Miguel Arcanjo e de aproximar mais a figura papal das pessoas por onde passou nesses anos recentes.
Quando eleito, houve naturalmente a evocação da famosa profecia de São Malaquias. O santo irlandês do século onze listou 111 papas que se sucederiam até o fim do mundo. Cada um deles recebe do profeta uma denominação simbólica, sendo que o último é chamado de Pedro Romano. O conclave que elegeu Francisco, teoricamente, nos ofereceu a derradeira figura dessa lista ancestral, e antes que se soubesse o nome do escolhido, muito se conjecturou acerca do nome desse cardeal eleito ou do país de origem. Naturalmente, os purpurados que tivessem Pedro em seu nome de batismo ou fossem romanos de nascimento pareciam ser os mais cotados. No entanto, Bergoglio não se enquadraria nessa descrição, dessa forma, nos anos que se seguiram, a profecia pareceu ter-se mostrado equivocada.
Mas analisando objetivamente, não acredito que se deva desprezar a profecia tão rapidamente. Isso afirmo porque as descrições simbólicas dos papas anteriores nem sempre fazem referência ao nome de batismo ou à cidade de origem. Por exemplo, João Paulo II é chamado de Trabalhador do Sol, cuja interpretação parece estar vinculada à dinâmica de trabalho incansável de seu pontificado, com viagens constantes a diversos países.
O que concluir, então, do nome Pedro Romano? Uma das possibilidades consiste em tentar compreender a figura do primeiro Papa da Igreja Católica: o pescador Pedro, escolhido diretamente por Jesus Cristo. O apóstolo que foi incumbido de conservar as chaves do Céu, rocha sobre a qual Cristo edificaria sua igreja, frequentemente se revela um indivíduo de posturas dúbias. Tem fé suficiente para ir ao encontro de Jesus ao vê-lo caminhando sobre as águas, embora vacile e afunde. Faz um verdadeiro testemunho da divindade de Cristo e por esse motivo é louvado, embora em outro momento tente afastar o Mestre de sua missão, sendo chamado de Satanás. Nega Cristo três vezes antes do galo cantar, e três vezes reafirma seu amor ao Filho de Deus depois de sua ressurreição.
Papa Francisco causa, às vezes, a impressão de ter posturas demasiado dúbias. Houve momentos, por exemplo, em que o Vaticano necessitou corrigir, às pressas, declarações de Bergoglio, com a justificativa de que não fora exatamente isso o que o Papa dissera. O bispo de Roma já suscitou, ao mesmo tempo, críticas e elogios, e não somente de segmentos diversos da cristandade, mas inclusive de indivíduos específicos. Ou seja, nem sempre é fácil compreender de que lado o homem se encontra.
Se ele é, de fato, o último Papa ou o Papa dos últimos tempos, isso só o tempo poderá afirmar. Antes disso, resta-nos testemunhar a história, e tentar entendê-la.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

ENTREVISTA DO ESCRITOR GABRIEL SANTAMARIA



Fui convidado a responder cinco perguntas na Semana do Nacional. O projeto visa apresentar escritores nacionais ao público. As respostas foram dadas no vídeo abaixo e as perguntas são as seguintes:

1 - Como e quando você decidiu seguir a carreira de autor (a)?
2 - Quais são as principais dificuldades para se publicar livro hoje em dia no Brasil?
3 - Qual sua opinião sobre as plataformas gratuitas de publicação, como o Wattpad?
4 – Qual gênero ainda carece de maior visibilidade no mercado editorial nacional?
5 - Quais autores nacionais te inspiram?


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

DOCE MELANCOLIA



Soma-se tudo, e então se conclui que todos os esforços empreendidos não resultaram em coisa que o valha. Muito foi dito, embora nem tudo tenha sido entendido. São recordações agora, tendendo a esmaecer com o tempo, à semelhança dos retratos guardados. Os versos… também os versos se tornarão relíquias daquilo que certamente poderia ter sucedido em sintonia diferente, e não foi.
Solto a tristeza ao amanhecer. Que ela voe, e se distancie, encontrando talvez o cenário de um litoral qualquer, onde se reúna a outros pássaros da estação. Se eu tivesse um jardim, plantaria mudas de novos sentimentos, e aguardaria pacientemente o florescer na primavera.
Porém, tenho somente as horas como companheiras, e uma doce melancolia.

Gabriel Santamaria é autor de O Evangelho dos Loucos (romance), No Tempo dos Segredos (romance), Assim Morre a Inocência (contos), Destino Navegante (Poemas), Para Ler no Caminho (Mensagens e Crônicas).